O Real versus o Imaginário no Cérebro e no Corpo.

O cérebro não distingue o real do imaginário.

Na vida real, sempre que vives uma situação stressante o teu cérebro responde libertando hormonas de stress.

 

Agora pensa numa situação simples de stress. Sempre que tu te lembras de um evento do passado stressante ou imaginas conscientemente uma situação stressante, o teu cérebro também liberta hormonas do stress.

 

Vivendo uma situação stressante ou emergindo realmente num evento, usando a lembrança ou imaginação, tudo é igual para o teu cérebro. Em ambas as situações ele liberta hormonas do stress.

Outra coisa a considerar é que um evento stressante não é em absoluto um evento stressante. A única certeza que podes ter é que determinado evento é stressante para ti. Um mesmo evento que seja stressante para ti pode não ser para outra pessoa. Portanto, o evento em si não é stressante. O que tu pensas sobre o evento é que origina sentimentos de stress. E são os teus sentimentos de stress que produzem hormonas do stress. Então, tu produzes hormonas do stress por causa do que pensas e sentes, independentemente da situação stressante em que te encontras esteja a ser vivida ou se passe apenas na tua mente.

Bondade e Stress, iguais tanto na realidade como na imaginação

Em termos fisiológicos, os sentimentos associados à bondade produzem efeitos opostos aos sentimentos associados ao stress. Então, será que o mesmo tipo de efeito real versus imaginário se aplica à bondade?

 

Segundo os estudo científicos, a resposta é afirmativa. Segundo Jonathan Haidt, cientista social, os sentimentos associados à bondade são produzidos independentemente de estares a ter uma experiência directa de bondade (como doador, receptor ou mesmo como testemunha), a lembrar-te de uma experiência de bondade ou a imaginá-la. Os mesmos sentimentos são produzidos em cada situação. E, assim como no stress, são os pensamentos e sentimentos que produzem as hormonas. No caso da bondade, são hormonas da bondade.

A principal hormona da bondade é a oxitocina, também conhecida como a molécula do amor por serem os sentimentos de calor e conexão que produzem oxitocina.

Se estás a ser gentil, a receber bondade ou a testemunhar bondade num cenário real ou imaginário, sentes os mesmos sentimentos e, portanto, produzes as mesmas hormonas da bondade. Assim como no stress, o teu cérebro não faz distinção entre real e imaginário.

Realidade e Imaginação no corpo

E o mesmo pode ser dito com outros sistemas do corpo? Também parece que sim. Numerosos estudos mostraram que imaginar tocar ou mover uma parte do corpo activa a região cerebral correspondente como se realmente tocássemos ou movêssemos essa parte do corpo.

 

Pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, mostraram que, quando uma pessoa imaginava mover os dedos das mãos, dedos dos pés ou mesmo a língua, activava as regiões do cérebro correspondentes a estas partes do corpo como se realmente se estivesse a mover a correspondente parte do corpo.

O famoso "estudo do piano" é um excelente exemplo da neurociência. Pesquisadores da Universidade de Harvard, liderados por Alvaro Pascual-Leone, compararam o cérebro de pessoas a tocar uma sequência de notas num piano com o cérebro de pessoas que imaginam tocar as notas. Verificou-se que a região do cérebro conectada aos músculos dos dedos mudou no mesmo grau nos dois grupos de pessoas, independentemente de terem tocado as teclas, física ou mentalmente.

É este fenómeno - o fato de o cérebro processar o imaginário como se fosse real - que permite que os desportistas beneficiem das práticas de visualização. Vários estudos mostraram que os jogadores podem melhorar o seu desempenho utilizando esta técnica. Os estudos também mostraram pessoas a aumentar a sua força muscular imaginando-se flexionando ou levantando pesos.

 

Um estudo, no Lerner Research Institute, em Cleveland, demonstrou que imaginar flexionar o dedo mindinho, por 15 minutos diariamente, por 3 meses, aumenta a força muscular em 35% e os voluntários nem sequer levantaram o dedo.

A técnica também permitiu que pessoas que sofreram um derrame se recuperassem mais rapidamente, como foi demonstrado em vários estudos que comparam pacientes que recebem fisioterapia com pacientes que realizam visualização de movimentos e fisioterapia. De acordo com estas pesquisas, aqueles que praticam a visualização recuperam-se mais rapidamente do que aqueles que praticam fisioterapia isoladamente. Uma meta-análise de 2014 do uso de 'imagens mentais' na reabilitação de AVC observou esta evidência convincente e concluiu que poderia ser uma 'intervenção viável' e que gera 'oportunidades de prática ilimitadas'.

Os benefícios dependem do facto de que, quando um paciente visualiza o movimento, o cérebro processa-o como se realmente o estivesse a mover, e assim o movimento imaginado torna-se uma prática física extra no que diz respeito ao cérebro.

Este fenómeno foi estudado com a comida. Num estudo liderado por Carey Morewedge, na Universidade Carnegie Mellon, os voluntários comiam ou imaginavam comer pequenos doces. Alguns voluntários foram convidados a imaginar comer vários doces e outros a comer apenas um pequeno número. Quando tiveram a chance de comer doces de verdade mais tarde, aqueles que imaginavam comer mais tinham menos apetite por mais. Concluiu-se que imaginar comer teve impacto no cérebro como comer de verdade e suprimiu o apetite por mais, assim como comer de verdade. Era como se o cérebro dissesse: "OK, é o suficiente. Estou cheio agora ", embora a pessoa não tenha comido nada, apenas tenha imaginado.

De certa forma, o cérebro processou imaginando comer como se a pessoa realmente estivesse a comer. No entanto, a pesquisa não investigou se imaginar comer afecta o corpo de outras maneiras, como talvez sem comida real, uma pessoa possa privar o seu corpo da nutrição necessária. Mas o ponto é, novamente, que o cérebro não faz uma distinção perceptível entre real ou imaginário.

O limite não existe

Os estudos até sugerem que o sistema imunológico responde de maneira semelhante. 

 

Num estudo controlado e aleatório, de pacientes com cancro de mama a fazerem quimioterapia, foi solicitado a cerca de metade das pacientes que imaginassem as suas células imunológicas como peixes-piranhas e as imaginassem a destruir as células cancerígenas. Nos que visualizaram, a actividade do sistema imunológico foi maior do que naqueles que não visualizaram. De facto, o sistema imunológico daqueles que visualizavam mostrava altos níveis de citotoxicidade mesmo após o quarto (e final) ciclo de quimioterapia.

De um modo geral, e considerando os exemplos de estudo, parece que o cérebro e o corpo não fazem distinção entre algo que é real ou apenas imaginado como real.

A questão agora é: o que é que isto significa para ti?

Tradução livre e adaptação do artigo feita por Sara Ribeiro:

https://drdavidhamilton.com/real-vs-imaginary-in-the-brain-and-body/

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